Lenir de Miranda

Lenir de Miranda. Visão Pós-Traumática do Déjeuner sur l´Herbe (après Manet), 2006. A 1ª da série de (5 ) cinco imagens. 18 x 14,8 cm cada uma.





Lenir de Miranda. Visão Pós-Traumática do Déjeuner sur l´Herbe (après Manet), 2006. A 2ª da série de (5 ) cinco imagens. 18 x 14,8 cm cada uma.




Lenir de Miranda. Visão Pós-Traumática do Déjeuner sur l´Herbe (après Manet), 2006. A 3ª da Série de (5 ) cinco imagens. 18 x 14,8 cm cada uma.





Lenir de Miranda. Visão Pós-Traumática do Déjeuner sur l´Herbe (après Manet), 2006. A 4ª da Série de (5 ) cinco imagens. 18 x 14,8 cm cada uma.








Lenir de Miranda. Visão Pós-Traumática do Déjeuner sur l´Herbe (après Manet), 2006. A 5ª da Série de (5 ) cinco imagens. 18 x 14,8 cm cada uma.




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Lenir de Miranda compõe uma alegoria crítica sobre Tempo & Espaço em uma série de cinco (5) imagens, na qual diferentes referências – e especialmente, da História da Arte e da Literatura – contaminam as imagens em um atravessamento peculiar. A obra híbrida intitulada "Visão Pós-Traumática do Déjeuner Sur l´Herbe" projeta sombras de destruição sobre um passado, o presente e um futuro imaginável. O ponto de partida é a célebre obra de Manet, “Déjeuner Sur l´Herbe”(1862-1863) a qual, na segunda imagem da série, é manipulada juntamente com uma outra referente à vida pessoal da artista: uma foto atual de seus familiares que pousam em posições equivalentes aos personagens dessa determinada pintura. Já a imagem final consta de uma foto-detalhe da instalação "Traumátic Vision of LE DÉJEUNER SUR L'HÉRBE (après MANET)" realizada no Paço Municipal de Porto Alegre, pela própria Lenir, em 2007. A foto exibe pedaços de porcelanas e destroços espalhados sobre um tapete queimado – uma ácida alusão ao tapete da cena bucólica de "Déjeuner sur l´Herbe" de Manet.

Essa seqüência de imagens trava uma narrativa que poderá estar relacionada de um modo amplo, não somente com o destino final de todo ser humano, mas, também, com o próprio princípio da fotografia digital – uma superfície que retém aglomerados de relações temporais e espaciais em grãos de pixels, os quais, através da manipulação, podem "explodir" a imagem e resultar em algo diferente do registro original. E especialmente, sem mais nenhuma definição do real. Aqui  (como esquecer Barthes?) Lenir estabelece uma interessante analogia entre Fotografia e morte.

Os trechos de um poema de T.S. Eliot [1] sobre a última imagem – essa, como se fosse o registro final de uma "explosão" – revelam a insólita ironia e a força da resistência humana diante de uma suposta destruição. Os cacos de louças, entre cinzas e pedaços de carvão, são os destroços de nossas memórias cotidianas? Ou, os fragmentos de História e reminiscências que nem mesmo a fotografia poderá reter e recompor?



Dione Veiga Vieira
 Setembro/2009

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NOTA

¹"I Shall sit here, serving tea for friends…" / "estarei sentada aqui, servindo chá aos amigos...” ( Eliot T.S. in Collected Poems. London , 1963).



O TEMPO CONTAMINADO/El TIEMPO CONTAMINADO



A exposição O Tempo contaminado/El Tiempo Contaminado,

no Atelier Subterrânea, reúne dois países. Com curadoria conjunta

da brasileira Dione Veiga Vieira e do chileno Sergio González Valenzuela,

a mostra reúne obras em fotografia dos artistas brasileiros Fabio Del Re,

Lenir de Miranda, Richard John, e das artistas chilenas Antonia Cafati,

Antonia Cruz, Macarena Fernández e María Jesús Olivos.

O recorte curatorial traz um olhar atual sobre os usos da fotografia

nos processos artísticos contemporâneos no Brasil e no Chile, propondo

um debate sobre o estatuto da imagem, em que os eixos centrais são

o corpo e sua temporalidade. Haverá sorteio de obras doadas pelos

artistas a partir das 21h e os números estarão à venda no local a R$ 5,00.

A exposição fica em cartaz até o dia 17 de outubro, com visitação das 14h às 19h.

O que: exposição O Tempo contaminado/El Tiempo Contaminado
Quando: 15 de setembro a 17 de outubro, de segunda a sábado, das 14h às 19h
Onde: Atelier Subterrânea (Independência, 745/Subsolo)
Quanto: entrada franca

Fonte: Jornal do Comércio

Maria Jesus Olivos - DIVULGAÇÃO JC

Maria Jesus Olivos - DIVULGAÇÃO JC
Obras estão em exposição no Atelier Subterrânea até outubro.