Fábio Del Re


Fábio Del Re. Para Lia, 1998.Fotografia. Díptico. 100cm x 100cm cada uma. Coleção Paula Ramos.




Fábio Del Re apresenta a Fotografia como matéria contaminada por diversos procedimentos experimentais, os quais jogam não somente com a passagem do tempo, mas também, com a própria natureza do suporte. Há alguns anos atrás, por exemplo, Del Re enterrou certo número de fotos para desenterrá-las após algum tempo, e constatar o efeito causado pela ação dos vermes sobre o papel e consequentemente, a alteração sobre a imagem. Com a mesma linha de pensamento – e, em um processo que remete às rayografias de Man Ray – realizou ainda diversas séries sem a utilização da câmara fotográfica, e apenas por contato direto de objetos sobre superfícies fotossensíveis. Os resultados dessas pesquisas foram mostrados em diferentes exposições como “Gavetas e Outros Eclipses”, na Fundação Cultural de Criciúma (2003); “Um Território da Fotografia”, na Usina do Gasômetro (2003); e também, em exposições coletivas realizadas na FotoGaleria de Porto Alegre (2003/2004). Agora, na exposição “O Tempo Contaminado”, Fábio Del Re apresenta fotografias de uma série intitulada “Para Lia” – uma obra dedicada à amiga Lia Menna Barreto. Trata-se de um trabalho realizado a partir de 1998, com um filme P&B (120) de validade expirada em 1992. Digitalizadas recentemente, essas fotografias exibem nódoas originadas por esse filme corrompido pelo tempo, possibilitando assim, a percepção de uma atmosfera nebulosa e onírica. Eis uma fotografia que não poderá ser apenas memória ou, registro mimético do mundo, mas, uma ilusão construída na imprevisibilidade de diferentes processos e resultados.


Dione Veiga Vieira - 2009.  






O TEMPO CONTAMINADO/El TIEMPO CONTAMINADO



A exposição O Tempo contaminado/El Tiempo Contaminado,

no Atelier Subterrânea, reúne dois países. Com curadoria conjunta

da brasileira Dione Veiga Vieira e do chileno Sergio González Valenzuela,

a mostra reúne obras em fotografia dos artistas brasileiros Fabio Del Re,

Lenir de Miranda, Richard John, e das artistas chilenas Antonia Cafati,

Antonia Cruz, Macarena Fernández e María Jesús Olivos.

O recorte curatorial traz um olhar atual sobre os usos da fotografia

nos processos artísticos contemporâneos no Brasil e no Chile, propondo

um debate sobre o estatuto da imagem, em que os eixos centrais são

o corpo e sua temporalidade. Haverá sorteio de obras doadas pelos

artistas a partir das 21h e os números estarão à venda no local a R$ 5,00.

A exposição fica em cartaz até o dia 17 de outubro, com visitação das 14h às 19h.

O que: exposição O Tempo contaminado/El Tiempo Contaminado
Quando: 15 de setembro a 17 de outubro, de segunda a sábado, das 14h às 19h
Onde: Atelier Subterrânea (Independência, 745/Subsolo)
Quanto: entrada franca

Fonte: Jornal do Comércio

Maria Jesus Olivos - DIVULGAÇÃO JC

Maria Jesus Olivos - DIVULGAÇÃO JC
Obras estão em exposição no Atelier Subterrânea até outubro.